quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

O Laço do Amigo

Meu filho, se você serviu de fiador do seu próximo, se, com um aperto de mãos, empenhou-se por um estranho e caiu na armadilha das palavras que você mesmo disse, está prisioneiro do que falou … Não se entregue ao sono, não procure descansar. Provérbios 6:1-2, 4

O aperto de mão de Diego foi firme, seu sorriso, contagiante. 

“Júlio, você não é só um amigo, é um irmão. Você está salvando meu sonho!”, disse ele, do outro lado da mesa polida do gerente do banco.

Júlio sentiu uma pontada de desconforto, uma pequena sirene que soou em algum lugar no fundo de sua mente. Mas ele a ignorou. Como poderia dizer “não”? Diego era seu amigo de infância, o padrinho de sua filha. E o negócio parecia tão promissor: uma cafeteria gourmet em um bairro da moda. Júlio, um funcionário público com uma vida estável e economias bem guardadas, parecia o fiador perfeito.

“É só uma formalidade, cara. O banco exige”, Diego havia dito. E Júlio, enlaçado pelas palavras de um amigo, assinou o contrato.

Nos primeiros meses, tudo parecia bem. Diego postava fotos da cafeteria lotada, das xícaras de café com desenhos elaborados, das avaliações de cinco estrelas. Júlio se sentia orgulhoso, parte daquele sucesso.

A primeira ligação veio numa terça-feira à tarde. Era do banco. Uma voz educada, mas firme, informou que a parcela do empréstimo de Diego estava atrasada.

“É só para o senhor estar ciente, como fiador.”

Júlio ligou para Diego, que riu.

“Ah, cara, relaxa. Foi só um problema no fluxo de caixa. Já vou resolver isso.”

Mas a ligação se repetiu no mês seguinte. E no outro. A voz do banco já não era tão educada. O sonho de Diego estava, sutilmente, se tornando o pesadelo de Júlio.

Ele começou a perder o sono. Cada vez que seu telefone tocava, seu coração disparava. Ele se via preso em um laço que ele mesmo havia ajudado a amarrar. Ele era o animal que, por ingenuidade, havia colocado a cabeça na armadilha do caçador.

A situação atingiu o clímax quando uma carta oficial chegou: uma notificação de execução de dívida. O banco estava vindo atrás dos bens de Júlio. O pânico o engoliu. Seu apartamento, o futuro de sua família, tudo o que ele construiu com tanta prudência estava em risco por causa de uma assinatura.

Ele foi até a cafeteria. O lugar estava quase vazio. Diego, antes vibrante e confiante, parecia abatido e evasivo.

“Júlio, eu juro que vou dar um jeito!”, ele prometeu, mas suas palavras soavam ocas.

Naquela noite, Júlio não dormiu. Ele andava de um lado para o outro em sua sala. Ele não podia mais esperar que Diego resolvesse. Precisava agir.

Na manhã seguinte, humilhado, ele foi até o gerente do banco.

“Qual é a minha situação? O que eu preciso fazer para me livrar disso?”

O gerente foi direto. A dívida era alta. A única forma de se livrar do laço era pagá-la.

Júlio passou a semana mais difícil de sua vida. Teve que sacar a maior parte de suas economias, o dinheiro que guardava para a faculdade de sua filha. Vendeu seu carro. Pediu um pequeno empréstimo a um primo. Ele se humilhou, suplicou, correu contra o tempo.

Ao final, com um cheque administrativo nas mãos, ele quitou a dívida de Diego. A sensação não foi de alívio, mas de uma profunda e amarga exaustão.

Ele encontrou Diego na porta do banco. Entregou-lhe o comprovante de quitação.

“Eu paguei”, disse Júlio, a voz desprovida de emoção. “Estou livre. E você também.”

As lágrimas escorreram pelo rosto de Diego.

“Eu sinto muito, Júlio. Eu vou te pagar de volta, eu juro…”

“Não, Diego”, interrompeu Júlio, não com raiva, mas com uma tristeza fria. “Você não vai. Porque a nossa amizade não sobreviveu a isso.”

Júlio virou as costas e foi embora. Ele havia perdido um amigo e uma grande parte de suas economias. Mas, ao caminhar para casa, sentiu algo que não sentia há meses. Uma leveza. Naquela noite, pela primeira vez em muito tempo, ele deitou a cabeça no travesseiro e dormiu. Um sono profundo, sem sonhos. Ele havia escapado. A presa, ferida e mais sábia, estava finalmente livre da mão do caçador.

(Feito com IA)

Este conto é parte do meu livro Sabedoria Diária

https://books2read.com/u/baOx5v

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