Observe a formiga, preguiçoso, reflita nos caminhos dela e seja sábio! Até quando você vai ficar deitado, preguiçoso? … Quando se levantará de seu sono? Tirando uma soneca, cochilando um pouco, cruzando um pouco os braços para descansar, a sua pobreza o surpreenderá como um assaltante, e a sua necessidade lhe virá como um homem armado. Provérbios 6:6, 9-11
O universo de Emerson cabia na tela do seu notebook: vinte e três abas abertas no navegador. Havia um curso de marketing digital pela metade, um e-book sobre investimentos que ele nunca passou do primeiro capítulo, rascunhos de um projeto freelance para um cliente impaciente e, entre tudo isso, as verdadeiras ladras de seu tempo: redes sociais, fóruns de games e plataformas de streaming.
Ele era um designer gráfico talentoso, com um olhar aguçado para a estética. Mas seu talento estava soterrado sob camadas de inércia. Sua vida era uma série de começos entusiasmados e abandonos silenciosos. “Amanhã eu termino”, era o seu lema. “Só mais um episódio”, sua sentença diária. Ele vivia num ciclo de “dormir um pouco, trabalhar um pouco”, com as mãos cruzadas sobre o teclado.
Do lado de fora de sua janela, a vida pulsava. Ele observava, com uma pontada de inveja, o movimento incansável da cidade. Em seu parapeito, via as pessoas como formigas marchando em uma linha obstinada, cada uma carregando uma carga maior que ela mesma, movidas por um propósito invisível. Eram um espetáculo de compromisso que ele admirava, mas não imitava.
A pobreza, como um ladrão sorrateiro, começou a arrombar as portas de sua vida. Primeiro, foi a financeira. O cliente do projeto freelance, cansado de desculpas, cancelou o contrato. O aluguel atrasou. O cartão de crédito atingiu o limite.
Mas a pobreza mais cruel era a de outro tipo. Sua mesa, seu “campo”, estava cheia de “espinhos e urtigas” digitais: projetos abandonados, e-mails não respondidos, oportunidades perdidas. O “muro de pedras” de sua credibilidade estava em ruínas. Amigos pararam de indicá-lo para trabalhos. Sua própria confiança em sua capacidade começou a erodir.
A necessidade, como um homem armado, o confrontou numa terça-feira chuvosa. A energia de seu apartamento foi cortada por falta de pagamento. No escuro, com o notebook operando na bateria que se esvaía, o silêncio foi quebrado apenas pelo som de seu estômago roncando. Não havia mais para onde fugir, não havia mais “amanhã”.
Ele se sentou no chão frio e, pela primeira vez, encarou o reflexo de sua própria negligência. Ninguém era culpado. Nem a economia, nem a falta de oportunidades. A culpa era de suas escolhas, da sua constante rendição à inércia. Ele havia permitido que ladrões invisíveis — a procrastinação, a distração, a falta de disciplina — roubassem seu futuro, migalha por migalha.
Naquela noite, no escuro, ele se lembrou das formigas em sua janela. Da sua sabedoria silenciosa, da sua ética de trabalho implacável.
Na manhã seguinte, com a pouca bateria que lhe restava, ele não abriu as redes sociais. Abriu um novo documento e escreveu um e-mail para seu antigo cliente. Não deu desculpas. Apenas escreveu: “Eu falhei com você e com o projeto. Sei que é tarde, mas gostaria de terminar o trabalho, sem custo algum, apenas para honrar minha palavra.”
O cliente, surpreso, aceitou.
Foi o primeiro passo. Emerson começou a reconstruir o muro de sua vida, pedra por pedra. Começou a fechar as abas desnecessárias, a focar em uma tarefa de cada vez, a encontrar satisfação não no início de algo novo, mas na conclusão de algo antigo.
Não foi uma transformação mágica. Foi uma batalha diária, cansativa, contra seus próprios hábitos. Mas, a cada pequena vitória, a cada tarefa concluída, ele sentia seu campo sendo limpo. Os espinhos da procrastinação estavam dando lugar a um solo fértil, pronto para uma nova semeadura. A pobreza não havia desaparecido, mas o ladrão havia sido expulso de sua casa.
(Feito com IA)
Este conto é parte do meu livro Sabedoria Diária


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