Meu filho, obedeça aos mandamentos de seu pai e não abandone o ensino de sua mãe … Pois o mandamento é lâmpada, a instrução é luz, e as advertências da disciplina são o caminho que conduz à vida, eles o protegerão da mulher imoral, e dos falsos elogios da mulher leviana … Mas o homem que comete adultério não tem juízo; todo aquele que assim procede a si mesmo se destrói. Sofrerá ferimentos e vergonha, e a sua humilhação jamais se apagará, Provérbios 6:20, 23-24, 32-33
O caso de Guilherme com Juliana não começou com paixão avassaladora, mas com tédio. Ele era um arquiteto talentoso, casado com uma mulher boa e gentil. Mas seu casamento havia se tornado confortável demais, previsível demais. Juliana era a esposa de seu melhor amigo e sócio, Anderson. E ela era fogo. Uma conversa inteligente, um sorriso ousado, um toque “acidental” no braço durante uma reunião.
Ele sabia que estava andando sobre brasas. Cada café secreto, cada mensagem apagada, era uma brasa viva sob a sola de seus sapatos. No início, a emoção do perigo o entorpecia, o fazia sentir-se vivo. Ele dizia a si mesmo que era um destruidor de lares, mas que era inteligente o suficiente para não ser apanhado.
Mas o fogo que se toma no peito, inevitavelmente, queima as roupas. O segredo começou a consumi-lo. Ele se tornou irritadiço em casa, ausente. Mentir para sua esposa, antes impensável, tornou-se sua segunda natureza. Mentir para Anderson, o homem que confiava nele como um irmão, o corroía com uma culpa ácida. A desonra, a vergonha, mesmo antes de ser descoberta, já era uma mancha em sua alma que não se apagava.
A descoberta, quando veio, não foi através de um flagrante, mas de algo muito pior: a intuição fria de Anderson. Ele era um homem metódico e observador. Começou a notar os olhares, a mudança nos horários de Guilherme, a forma como Juliana evitava seu toque. Ele não explodiu. Ele investigou.
Anderson contratou um detetive particular. Em uma semana, ele tinha tudo: fotos, registros de chamadas, o endereço do apartamento onde eles se encontravam. Ele tinha a prova da traição de seu melhor amigo e de sua esposa.
Guilherme só soube que o jogo havia acabado quando chegou para trabalhar na segunda-feira e encontrou sua sala vazia. Seus projetos, seus arquivos, seus pertences pessoais, tudo em caixas de papelão no corredor. Anderson o esperava na sala de reuniões. Seus olhos não continham ódio, mas um gelo cortante que era muito mais aterrorizante.
“Acabou, Guilherme”, disse Anderson, a voz baixa e controlada. Ele jogou um envelope pardo sobre a mesa. Dentro, as fotos.
O pânico tomou conta de Guilherme. Ele começou a suplicar. “Anderson, me perdoe. Foi um erro, uma loucura. Eu posso consertar. Eu pago. O que você quer? Dinheiro? Eu te dou minha parte na sociedade. Eu faço qualquer coisa!”
Ele estava agindo como um ladrão pego em flagrante, tentando restituir o que roubou para escapar da punição.
Anderson riu. Um riso seco, sem alegria.
“Você não entende, não é? Se você tivesse roubado meu dinheiro, poderíamos ter um acordo. Mas você roubou minha honra. Minha vida. E para isso”, ele se inclinou sobre a mesa, o ciúme transformando seu rosto, “não há resgate. Não há preço.”
A fúria do homem traído não foi um soco na cara. Foi uma vingança meticulosamente executada. Anderson usou as mesmas fotos para iniciar um processo de divórcio litigioso contra Juliana, deixando-a sem nada. Ele convocou uma reunião de emergência com os clientes, não para expor o caso, mas para anunciar a “saída repentina” de Guilherme da sociedade por “incompatibilidade profissional”, insinuando incompetência. Ele enviou cópias anônimas das fotos para a esposa de Guilherme.
Em questão de semanas, a vida de Guilherme foi sistematicamente aniquilada. Ele perdeu o emprego, a reputação, a esposa e o melhor amigo. Tornou-se um pária na cidade. A ferida que ele causou gerou uma fúria que não poupou no castigo.
Anos depois, trabalhando como desenhista freelancer em outra cidade, sob outro nome, Guilherme às vezes se olhava no espelho. A mancha da vergonha nunca havia desaparecido. Ele entendeu, da forma mais brutal, a verdade da vida. Pode-se restituir o que se rouba. Mas há certas coisas que, uma vez quebradas, nunca podem ser pagas ou consertadas. O fogo que ele colocou no peito havia queimado tudo, e as cinzas eram tudo o que lhe restava.
(Feito com IA)
Este conto é parte do meu livro Sabedoria Diária






