quarta-feira, 4 de março de 2026

O Arquiteto das Marés

Eu, a sabedoria, moro com a prudência, e tenho o conhecimento que vem do bom senso … O Senhor me criou como o princípio de seu caminho, antes das suas obras mais antigas …  Ele ainda não havia feito a terra, nem os campos, nem o pó com o qual formou o mundo … Eu me alegrava com o mundo que ele criou, e a humanidade me dava alegria. Provérbios 8:12, 22, 26, 31

O estaleiro do mestre Francisco cheirava a maresia, madeira e eternidade. Francisco, um homem cujas rugas pareciam o mapa de todos os mares que nunca navegara, passava seus dias em uma dança lenta e deliberada, transformando pranchas de carvalho no esqueleto de um novo barco de pesca.

Seu único visitante constante era Toni, um menino de oito anos com olhos cheios de porquês. Toni não se interessava por brinquedos; ele se interessava pela ordem das coisas.

“Mestre Francisco”, perguntou Toni um dia, enquanto observava o velho artesão encaixar uma caverna com uma precisão milimétrica. “Por que o barco flutua?”

Francisco não parou seu trabalho.

“Porque eu o projetei para isso, meu pequeno. Eu conheço o peso da madeira, a força da água. Sigo um plano. Se eu colocasse as peças de qualquer jeito, ele afundaria.”

O menino ficou em silêncio por um momento, processando.

“É por isso que as nuvens flutuam e as pedras afundam?”, ele perguntou.

Francisco sorriu. Ele amava a mente daquele garoto.

“Exatamente. Deus, o Grande Construtor também tinha um plano. Ele estabeleceu os céus com um entendimento que a gente só consegue imaginar. Cada coisa em seu devido lugar.”

Toni apontou para o mar, que quebrava ritmicamente na praia a poucos metros dali.

“E o mar? Por que ele para ali? Por que não continua e engole tudo?”

Francisco largou o martelo e sentou-se em um banquinho de madeira, convidando o menino a se sentar ao seu lado.

“Ah, essa é uma das minhas partes favoritas da história”, disse o velho. “Quando o Deus desenhou o mundo, a Sabedoria estava com Ele. Como uma arquiteta, uma mestre de obras. Ela estava lá quando Ele firmou as nuvens no alto e fixou as fontes do abismo. E foi ela quem disse ao mar: ‘Daqui você não passará. Aqui se quebrarão suas ondas orgulhosas.’“

Ele falava não como quem recita um dogma, mas como quem conta o segredo de uma grande obra de arte.

“A Sabedoria não é só um monte de regras, Toni. Ela é o equilíbrio. É o design. Ela é a razão pela qual o mundo não é um caos. Ela se deleitava na presença do Construtor, e a alegria deles era tão grande que transbordou e criou tudo o que a gente vê.”

Toni olhou para as próprias mãos pequenas, depois para as mãos calejadas de Francisco.

“Então, quando o senhor constrói o barco, o senhor está usando um pouquinho dessa mesma Sabedoria?”

Os olhos de Francisco brilharam. O menino havia entendido.

“Sim, meu filho. É exatamente isso. Cada vez que um carpinteiro escolhe a madeira certa, cada vez que um agricultor planta na estação correta, cada vez que uma mãe ensina o filho a ser gentil… todos nós estamos usando um fragmento daquela mesma Arquiteta que se alegrava com o Criador no início dos tempos. E o nosso maior prazer”, ele disse, bagunçando o cabelo de Toni, “é ver filhos, como você, aprendendo a admirá-la.”

Toni não entendeu todas as palavras, mas entendeu o sentimento. Ele olhou para o esqueleto do barco, para o mar, para as nuvens. E, pela primeira vez, não viu apenas coisas. Viu um projeto. Um plano magnífico, da menor concha na areia à maior estrela no céu. E, no coração desse projeto, ele sentiu a presença de uma alegria antiga, a mesma alegria que agora sentia ao lado do velho construtor de barcos.


(Feito com IA)

Este conto é parte do meu livro Sabedoria Diária

https://books2read.com/u/baOx5v

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Apresentação

Apresentação

Deus abençoe a todos nós. Criei este blog com o intuito de publicar meus poemas inspirados por Deus através de seu Espírito Santo, que age s...