quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

As Fontes da Vida

Meu filho, escute o que lhe digo; preste atenção às minhas palavras … Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida … Afaste da sua boca as palavras perversas … Olhe sempre para a frente … Veja bem por onde anda  … Não se desvie nem para a direita nem para a esquerda; afaste os seus pés da maldade. Provérbios 4:20,23-27

Isabela desabou no estacionamento da empresa. As chaves do carro caíram de sua mão trêmula, e ela ficou ali, encostada na porta, com o peito ofegante, incapaz de dar mais um passo. Não era um ataque cardíaco. Era algo pior. Era o vazio absoluto. Aos trinta e cinco anos, como diretora de marketing de uma multinacional, ela havia alcançado tudo o que sonhou. E se sentia morta por dentro. O diagnóstico oficial foi Síndrome de Burnout.

O médico lhe deu uma licença de três meses e um conselho: “Você precisa se reconectar com o que realmente importa.”

As primeiras semanas foram um borrão de sono e apatia. Seu mundo, antes regido por metas, prazos e reuniões, agora era um silêncio ensurdecedor. Foi quando ela encontrou um velho diário de sua avó. Na primeira página, escrita com uma caligrafia elegante, estava a passagem de Provérbios 4: “Acima de tudo, guarde o seu coração…”

Aquelas palavras, que ela já ouviu na infância, soaram diferentes. Eram um diagnóstico mais preciso do que o do médico. Ela percebeu que seu esgotamento não era apenas profissional; era espiritual. Suas fontes da vida haviam secado. E, com a ajuda de um terapeuta cristão, ela começou a jornada de identificar os vazamentos.

O terapeuta lhe pediu para listar o que ela “consumia” diariamente. Isabela percebeu que seu coração era um funil aberto para a ansiedade do mercado, a inveja das conquistas alheias no LinkedIn, a amargura de rivalidades corporativas e o medo constante de não ser boa o suficiente. Ela não guardava seu coração; ela o deixava ser um depósito de lixo tóxico. Sua primeira tarefa foi fazer uma “faxina”: parou de seguir perfis que lhe causavam angústia, cortou conversas tóxicas e começou a preencher as manhãs não com e-mails, mas com oração e leitura.

A segunda pergunta do terapeuta foi igualmente impactante: 

“Como você fala sobre seu trabalho e seus colegas?”

Isabela se deu conta de que sua linguagem era dominada pelo sarcasmo, pela reclamação e pela fofoca. Ela unia as pessoas em torno da crítica, não do encorajamento. Como parte de sua cura, ela se impôs um desafio: passar uma semana inteira sem reclamar de nada nem de ninguém. Foi excruciante no início, mas aos poucos, ela sentiu seu ambiente interno se acalmar.

Seu terapeuta notou que ela vivia remoendo erros do passado: “eu deveria ter feito aquele projeto de outra forma” ou paralisada pela ansiedade do futuro: “e se eu não bater a meta do próximo trimestre?”. Seus olhos espirituais estavam vesgos, nunca focados no presente. A tarefa foi praticar a gratidão diária, forçando seus olhos a enxergarem o que estava hoje à sua frente: o sorriso de seu filho, o calor do sol, uma refeição saborosa.

O passo final foi reavaliar suas escolhas diárias. Ela percebeu que seus “pés” a levavam por caminhos que drenavam sua energia. As noites em claro trabalhando em projetos que ninguém havia pedido, os almoços de networking com pessoas que a esgotavam, a recusa em tirar férias por medo de parecer “substituível”. Ela começou a tomar decisões deliberadas: sair do escritório no horário, agendar tempo de qualidade com a família, dizer “não” a compromissos que não se alinhavam com seus novos valores. Ela estava, literalmente, ordenando seus caminhos.

Ao final dos três meses, Isabela era outra mulher. Ela não havia encontrado uma solução mágica, mas sim um novo conjunto de disciplinas. Ela voltou a trabalhar, mas não da mesma forma. Delegou mais, confiou mais, controlou menos. Sua equipe, que antes a temia, começou a admirá-la. Sua produtividade, paradoxalmente, aumentou.

Numa tarde, um colega, vendo-a sair no horário, comentou:

“Você parece diferente, Isa. Mais leve. Qual o segredo?”

Isabela sorriu, um sorriso genuíno que não exibia há anos.

“Nenhum segredo”, respondeu. “Só aprendi a cuidar da fonte. O resto é consequência.”

Ela entrou em seu carro, não mais sentindo o peso do mundo, mas a leveza de um coração que estava sendo bem guardado. As fontes da vida, antes secas, começavam a jorrar novamente.

(Feito com IA)

Este conto é parte do meu livro Sabedoria Diária

https://books2read.com/u/baOx5v

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Apresentação

Apresentação

Deus abençoe a todos nós. Criei este blog com o intuito de publicar meus poemas inspirados por Deus através de seu Espírito Santo, que age s...